ELES NÃO USAM BENCHMARKING (2)

ELES NÃO USAM BENCHMARKING (2)

B.V.Dagnino*

Obama eleito, constata-se que os americanos também não usam benchmarking. O que a TV mostrou de urnas eletrônicas obsoletas, dando votos ao candidato errado, as longas filas, o voto indireto que muitas vezes dá a vitória a quem perdeu (pondo em dúvida a fé inquebrantável de alguns colunistas na democracia de Tio Sam) etc. etc., são evidências de que vale a pena eles virem aprender como fazer uma eleição no Brasil. Isso sem contar algumas histórias de compra de votos publicadas pelo New York Times (quem não está acostumado até estranha!).

Claro que a impressão dos votos, não para entrega ao eleitor, mas para registrá-lo, que foi usado em máquinas de alguns estados, nós poderíamos copiar (afinal de contas, nosso sistema também têm recebido críticas de profissionais de informática).

Outra área em que não aprendemos a copiar: trânsito. Cada vez que leio nos jornais e Internet (ou pude vivenciar pessoalmente) o que se faz no exterior, fico perplexo com a leniência e o primarismo do nosso Código. Alguns poucos exemplos, para não ser exaustivo:
- multas proporcionais ao poder aquisitivo do infrator (rendimentos, modelo do veículo, etc.) - Finlândia
- estacionamento prioritário para moradores - Reino Unido
- penalidades progressivas à medida que o tempo de estacionamento é excedido (multa, rodas presas, reboque) - Reino Unido
- estacionamento só onde é sinalizado permitido - Suécia
- sinalização de trânsito - n placas são desconhecidas no Brasil e usadas na Europa (ex. via preferencial e seu término)
- sinal de trânsito passa por fase vermelho + amarelo antes de abrir - Alemanha
- sinais para pedestres não podem ser automáticos, mas de acionamento manual
- permitido dobrar à esquerda com sinal fechado, respeitando o trânsito e o pedestre (EUA) - claro que requereria campanha nacional de respeito às faixas, como realizado em Brasília; no Rio foram instalados erradamente dezenas de sinais para obrigar os motoristas a parar na transversal
- recurso a multa só se o motorista tiver certeza de que tem razão - Reino Unido
- testes para alcoolizados suspeitos obrigatório (além do bafômetro, andar em linha reta sobre a faixa etc.) - EUA
- sinalização de motorista inexperiente nos veículos (letra L no Reino Unido)

Algumas vezes a introdução no País do que se faz lá fora é inviável economicamente, muito provavelmente, como é o caso de equipar as aeronaves com sistemas que permitam ao piloto ter uma visão do espaço aéreo em seu entorno, como estão fazendo as empresas americanas. Esse aumento do grau de segurança sem dúvida custa caro. Por outro lado, falando em aviação e com licença do nosso articulista do ramo, fazer com que o sistema de som do Aeroporto Santos Dumont transmita mensagens inteligíveis, como em Congonhas, por exemplo, deve custar o mesmo preço do que custou fazê-lo propagar falas quase indecifráveis.

Já a área ambiental daria assunto para um livro. Garrafas PET e de vidro e latas de alumínio descartáveis poluindo nossas terras e águas, enquanto na Alemanha os supermercados recebem e contam garrafas em máquinas automáticas é um exemplo. Na Dinamarca a sofisticação ainda não chegou a esse ponto, mas os supermercados aceitam qualquer tipo de garrafa de vidro como retorno. Ainda na Alemanha o fiscal do lixo orienta e até multa os moradores recalcitrantes que não cumprem as posturas sobre coleta seletiva (em Nova York também tem multa). Na Holanda paga-se pelo saco plástico nos supermercados, e assim por diante.

Mas um dia a gente chega lá. Não precisamos nem ser inovadores, basta copiar os bons exemplos.

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* Chartered Quality Professional e Fellow, CQI (Londres). Fellow, ASQ -American Society for Quality. Diretor Técnico da Qualifactory Consultoria.