Primeiro, quebre todas as regras - por B.V.DAGNINO

Primeiro, não acredite que a principal pré-condição para um ambiente de trabalho que gere mais lucro é o perfil carismático do principal executivo; isso depende muito mais do chefe imediato de cada empregado.

Essa é uma das conclusões surpreendentes que Buckingham e Coffman  desfilam em seu livro First, Break all the Rules (Simon & Schuster, New York, 1999). Baseados em milhões de respostas a questionários enviados pelo The Gallup Institute a 105 000 funcionários de 2 500 unidades de negócio de empresas dos  portes os mais variados, os Autores destróem  uma serie de mitos, considerados verdades absolutas pela maioria dos executivos.

O primeiro capítulo do livro se refere ao indicador de desempenho da qualidade do ambiente de trabalho. São doze as questões propostas, que devem receber grau máximo se esse ambiente é o ideal para otimizar o desempenho da empresa:
1. Eu sei o que esperam de mim no trabalho?
2. Eu disponho dos recursos necessários para executar corretamente meu trabalho?
3. Eu tenho a oportunidade, no meu trabalho, de executar aquilo que eu sei fazer melhor todos os dias?
4. Na última semana, eu fui reconhecido ou elogiado por ter realizado um bom trabalho?
5. Meu supervisor ou alguém na empresa se preocupa comigo como pessoa?
6. Existe algo no trabalho que estimula meu desenvolvimento?
7. Tenho a impressão de que minhas opiniões são levadas em conta?
8. A missão/ negócio da minha empresa faz-me sentir que meu trabalho é importante?
9. Meus colegas de trabalho estão comprometidos com a execução de trabalho de qualidade?
10. Eu tenho um bom amigo no trabalho?
11. Nos últimos seis meses, alguém falou comigo sobre o meu progresso?
12. No último ano eu tive oportunidade de aprender e crescer?

Os Autores estabeleceram uma série de correlações entre cada uma das perguntas e a produtividade (dez delas têm relação com esse parâmetro), lucratividade (oito delas mostraram correlação), retenção de talentos (questões 1 a 3, 5 e 7) e satisfação dos clientes. As questões que mostraram maior correlação com a maioria dos resultados do negócio foram as seis primeiras.

Uma comparação interessante para validar a pesquisa foi feita entre lojas de uma cadeia varejista. Aquelas com pontuação na faixa de 25% superior tinham em média suas vendas 4,56% acima do orçado, enquanto as da faixa de 25% inferior se encontravam 0,84% abaixo. Já quanto às metas de lucro anual os resultados foram ainda mais impressionantes: elas foram superadas em quase 14% pelas primeiras, e ficaram abaixo do planejado em 30% para as últimas. Os números sobre rotatividade dos empregados apresentaram distribuição que em muito favoreceu as lojas com nível superior de respostas.

Conclusão dos Autores: as lojas mensuravelmente mais produtivas foram aquelas onde os empregados responderam positivamente às doze perguntas; nelas, excelentes chefes engajaram seus subordinados e estes propiciaram a base para o desempenho excepcional.

Mais uma vez é preciso validar para o Brasil os resultados observados nos EUA. Com a palavra nossos pesquisadores.