Superqualidade em Informática - por B.V.Dagnino
V. sabia que o Brasil produz tanto software quanto a Índia exporta? (pelo menos é o que dizem os profissionais do ramo). Pode ser que não seja suficiente, mas já é algo. Mais impressionante ainda é que essa produção não se concentra no eixo Rio-S. Paulo, ou para deixar os mineiros satisfeitos, no triângulo que inclui Belo Horizonte. Nem é privilégio do Sul Maravilha. Antes pelo contrário. Empresas no DF e no Nordeste, e certamente em muitos outros Estados e em outras Regiões, produzem programas nos mais variados ramos: engenharia, hotelaria, educação, saúde, governo, bancos, cartórios, ... Sistemas abrangendo Customer Relationship Management - CRM, Computer-Aided Design - CAD, Educação à Distância – EAD, Enterprise Resources Planning – ERP, Internet, intranet e extranet, call centers, help desk, ... Desenvolvidos inicialmente para o mercado nacional, eles são cada vez mais adquiridos por empresas estrangeiras, que tomaram conhecimento de sua excelência por intermédio de suas subsidiárias brasileiras. Muitas dessas empresas já adotam práticas de gestão de empresas classe mundial: v medem sistematicamente a satisfação de seus clientes v pesquisam o clima organizacional, medem a satisfação de seus empregados e propiciam sua participação na melhoria contínua v elaboram planos de comunicação e marketing, definindo clientes-alvo e desenvolvendo produtos customizados v possuem sofisticados sistemas de suporte e atendimento ao cliente, inclusive quanto à gestão eficaz das reclamações v dispõem de um conjunto de indicadores para avaliar o desempenho de seus processos, produtos e serviços (porém a prática de benchmarking é em geral incipiente ou inexistente) v possuem uma Direção que não apenas participa ou se compromete com a busca da excelência, mas a lidera efetivamente v aprimoram seu sistema de informações, integrando progressivamente filiais, representantes e clientes utilizando recursos de telemática v consolidam e compartilham entre os colaboradores o seu know-how, colocando em prática os conceitos da gestão do capital intelectual e do conhecimento, inclusive documentando-o por meio de manuais e procedimentos. Algumas adotam métodos de planejamento estratégico e orçamento, outras se empenham em atividades voltadas para a responsabilidade social. Algumas têm seu sistema de gestão da qualidade certificado conforme a norma NBR ISO 9001 edição 2000, e muitas estão seguindo o caminho da certificação CMMI, específica para a área de informática. Todas são parceiros certificados por empresas multinacionais, que reconhecem formalmente a qualidade de seus produtos, bem como a adequação de seu sistema de gestão. O porte dessas empresas varia desde alguns a vários milhares de colaboradores, ora diretos, ora terceirizados, em muitos casos trabalhando em instalações de clientes. Algumas empresas ainda são familiares, porém estão se profissionalizando; outras têm clientes apenas do próprio grupo empresarial, enquanto outras possuem uma vasta clientela. Sempre que necessário, elas contam com equipamentos para emular, por exemplo, diferentes tipos de centrais telefônicas, ou de ATMs de diferentes fabricantes utilizadas por bancos, de forma a permitir testes os mais realistas possíveis dos softwares ou outros produtos e serviços desenvolvidos. Trata-se, portanto, de setor que surpreende pelo seu grau de desenvolvimento atual, e pelas perspectivas que lhe são abertas em nível nacional e internacional. Incentivos governamentais certamente aumentarão a velocidade desse crescimento, tão importante para o País. * Fellow, American Society for Quality, e The Institute of Quality Assurance (Londres). Consultor em excelência empresarial. Diretor Técnico da Qualifactory Consultoria.






