Benchmarking, Inteligência Competitiva e Gestão do Conhecimento - por B.V.Dagnino


S. Petersburgo, julho 2001.
Um dos assuntos debatidos no 6º Congresso Mundial sobre TQM foi benchmarking, ou seja a comparação com referenciais de excelência. Distinguem-se diferentes tipos de comparação, que não são simultaneamente exclusivos:

  • interna: agências, filiais, empresas de uma mesma corporação têm suas práticas ou sua performance comparadas;
  • com a concorrência: produtos, serviços, processos, desempenho setorial ou global;
  • com empresas de outros ramos: usualmente abrange processos de apoio, ou seja, atividades-meio que podem independer da área de negócios, como treinamento e faturamento;
  • qualitativa: inclui sistemas de gestão, práticas, métodos ou procedimentos de trabalho;
  • quantitativa: indicadores de desempenho;


Com a progressiva implementação de sistemas  de informações gerenciais em nível de gestão do conhecimento, existe a tendência de não tratar em separado as informações comparativas, integrando-as a esses sistemas. Dessa forma, os colaboradores terão disponíveis mais facilmente dados internos e externos para serem cotejados e assim avaliar até que ponto a empresa se coloca em relação à concorrência e às chamadas empresas classe mundial. Isso nos leva a estabelecer uma conexão entre benchmarking e inteligência competitiva, que se aplica tanto às atividades- fim como toda a infra-estrutura de apoio.

Fontes de informações comparativas são:

  • Internet;
  • Jornais e revistas, especializadas ou não;
  • Clientes e parceiros;
  • Ex-empregados de concorrentes admitidos na empresa;
  • Grupos de benchmarking: empresas se reúnem periodicamente para trocar experiências;
  • Congressos, eventos afins;
  • Visitas a concorrentes e a empresas referenciais;
  • Acordos bi ou multilaterais para intercâmbio de informações comparativas;
  • Relatórios e balanços;
  • Contatos formais e informais, inclusive em ocasiões sociais;
  • Anúncios e press releases;
  • Clientes ocultos: pseudo-clientes podem testar os produtos e serviços da concorrência, obtendo valiosos subsídios para enfrentá-la;
  • Câmaras de compensação de dados comparativos;
  • Associações que organizem bases de dados comparativos para uso de seus membros;
  • Redes de benchmarking via Internet;

Por onde começar?

Como é possível comparar todos os processos de uma organização, há que definir critérios para priorizá-los, como por exemplo:

  • aqueles que aumentarão significativamente o nível de satisfação dos clientes;
  • os que reduzirão o número de não-conformidades, erros, retrabalho, etc.;
  • os que representarão reduções de custo ou de tempos de ciclo relevantes;
  • aqueles que reconhecemos, pela nossa auto-crítica, estarem operando com deficiências ou bem abaixo de referenciais de excelência;

O importante é elaborar um plano de benchmarking, definindo-se seus objetivos, escopo, responsáveis e cronograma, e criar-se uma coordenação para o programa.

Benefícios do Benchmarking

O trabalho apresentado no Congresso por Jarrar e Zairi da Grã- Bretanha relaciona, com base em respostas de 227 empresas pesquisadas, em ordem de importância, os seguintes benefícios do benchmarking:

  • melhoria da qualidade;
  • aumento da rapidez na execução dos serviços;
  • introdução de enfoques inovadores voltados para a melhoria do negócio;
  • melhoria de processos;
  • melhoria do entendimento dos requisitos dos clientes;
  • definição de padrões;
  • influência no processo estratégico de tomada de decisão;
  • aumento da eficiência e eficácia da gestão de recursos;
  • emprego mais efetivo de recursos;
  • melhoria na gestão de pessoas;
  • mudança no estilo/ enfoque de liderança;

Conclusão: é claro que toda organização aspira ser benchmark. Uma vez preenchido o gap que existia nos principais processos com base no uso efetivo das informações coletadas, cabe à empresa incentivar a inovação e a criatividade de todos os funcionários. Dessa forma a organização deixará de ser uma mera plagiadora, o que certamente lhe foi muito útil durante um dado período de tempo, para se tornar líder e passar a ser imitada.