Por que auto- avaliação? por B. V. Dagnino
Cresce continuamente o número de organizações que praticam a auto-avaliação com base em modelos de excelência empresarial como o do Prêmio Nacional da Qualidade (PNQ) ou do Prêmio Europeu (EFQM). A gama de usuários cobre empresas públicas e privadas, nacionais e multinacionais. Os métodos de utilização variam significativamente, conforme apresentaremos a seguir.
A forma mais tradicional de utilizar a auto-avaliação é a elaboração de um relatório escrito, com várias dezenas de páginas, descrevendo de que forma uma empresa ou unidade/setor atende ao preconizado pelos Critérios de Excelência do PNQ. Esse relatório é então analisado por um grupo de avaliadores, em uma ou duas etapas, seguindo-se uma visita às instalações para obtenção de evidências e esclarecimentos. O resultado do processo é um relatório de avaliação, que contém uma pontuação percentual para cada um dos 20 Itens de Avaliação, uma pontuação global numa escala de 0 a 1000, e comentários. Estes se subdividem em “pontos fortes” e “oportunidades para melhorias”. Os avaliadores podem ser funcionários da empresa ou não, inclusive consultores ou grupos mistos. Seu número depende do porte da organização, o que também influencia a duração da visita.
De posse do relatório de avaliação, cabe à organização avaliada elaborar um plano de melhoria, a partir das oportunidades assinaladas. Os pontos fortes são usados para fins de reforço ou aumento do grau de aplicação das práticas relatadas.
Uma segunda forma de executar a auto-avaliação é a execução da visita pelos avaliadores sem que tenha sido elaborado previamente um relatório escrito, o que naturalmente tem a vantagem de reduzir o custo. A desvantagem é a inexistência de um relato, tanto para uma análise prévia pelos avaliadores, como para utilização como documento de informação geral sobre a organização e sua gestão (que pode ser distribuído amplamente para conhecimento dos funcionários. Outras formas de usar o modelo de excelência para auto-avaliação são os grupos de foco e a resposta a questionários com perguntas abrangendo o modelo. Ambas podem ser usadas para diferentes níveis de funcionários, sendo interessante comparar os resultados. Nossa experiência mostra que a Direção e a Gerência têm em geral uma visão muito mais rósea da empresa do que o pessoal em nível de execução. Os dois métodos podem ser usados também para comparar unidades ou setores da mesma organização, ou empresas de um grupo ou comparação.
Outra maneira de executar a auto-avaliação utiliza equipamento eletrônico de votação. Desenvolvido pela Ericsson, esse método prevê a reunião de um Grupo de Diretores e Gerentes que passam em revista, pontuam e discutem os Itens do modelo. Ao final tem-se como produto um diagnóstico do grau de aderência da empresa ao modelo de excelência. Essa técnica também pode ser utilizada sem o apoio eletrônico, perdendo então em riqueza de resultados.
Qualquer que seja a metodologia adotada, acreditamos que a mesma tenderá progressivamente a substituir as tradicionais auditorias da qualidade, gerenciais ou administrativas. Isso decorre do fato de a auditoria carregar uma conotação negativa, de um grupo de supostos especialistas intocáveis, atuando como intrusos a procurar falhas onde elas não existem.
Ao contrário, a auto-avaliação é um processo altamente participativo, claramente voltado para a melhoria contínua. Por outro lado, o aspecto educacional ligado à introdução da prática do modelo de excelência e auto-avaliação se reveste da mais alta relevância.






